Uma viagem pela Região de Jungfrau é muito mais do que visitar cartões-postais da Suíça. Entre montanhas icônicas, vilarejos alpinos, experiências gastronômicas e cidades históricas, cada dia revela um novo cenário e uma forma diferente de vivenciar o país.
Neste roteiro de seis dias, reunimos uma combinação equilibrada entre natureza, cultura, gastronomia e hospedagens de alto padrão. É um itinerário pensado para quem deseja conhecer a essência dos Alpes Suíços com conforto, aproveitando cada deslocamento de forma inteligente.

Interlaken
Interlaken: Existem lugares que fazem a gente diminuir o ritmo naturalmente. Interlaken foi assim para nós.
Depois de chegar à Suíça pelo Aeroporto de Zurique, o trajeto de trem até Interlaken já funciona como um convite para desacelerar. Em pouco mais de duas horas, a paisagem urbana dá lugar aos lagos de águas cristalinas e às montanhas que fazem da Região de Jungfrau um dos cenários mais emblemáticos do país.

Cercada pelos lagos Thun e Brienz e pelos imponentes Alpes Suíços, a cidade encanta logo na chegada e se revela uma base perfeita para explorar a Região de Jungfrau, combinando paisagens impressionantes, experiências autênticas e a tradicional hospitalidade suíça.

Nossa 1° estadia foi no Grand Hotel Beau Rivage, um hotel histórico às margens do rio Aare, onde percebemos nos pequenos detalhes aquilo que torna a hotelaria suíça tão especial. Acordar, abrir a janela e se sentir que estamos diante de uma pintura.

O que vivemos em Interlaken
Durante nossa estadia, tivemos a oportunidade de vivenciar experiências que mostram uma Interlaken onde a cultura, esportes de aventura, gastronomia e paisagens se encontram de forma muito natural.
- A arte do fondue suíço: Anote como experiência obrigatória, Fondue Villa & Garden, onde aprendemos a preparar o tradicional fondue desde o início com orientação da especialista, ao mesmo tempo em que degustávamos os vinhos Suíços de cada região. Tínhamos que acertar o vinho que estávamos degustando conforme a descrição. Aquele momento em que, se você está entre amigos ou família, vira uma grande diversão.

- Harder Kulm: a vista mais icônica de Interlaken:
Antes da subida, fizemos um tranquilo passeio de carruagem pelas ruas de Unterseen, uma maneira agradável de conhecer o charme da arquitetura e do ritmo tranquilo da região. Em seguida, subimos de funicular até o mirante do Harder Kulm, um dos pontos mais emblemáticos de Interlaken. - A vista panorâmica para os lagos Thun e Brienz e para os picos Eiger, Mönch e Jungfrau revela a grandiosidade da paisagem alpina e mostra por que essa experiência é uma das mais procuradas por quem visita a região.
- Sabores da hospitalidade suíça:
O jantar no Ristorante Sapori, localizado no tradicional Hotel Victoria Jungfrau, foi uma experiência gastronômica à altura da região: um ambiente elegante, acolhedor e com a atmosfera perfeita para encerrar nosso primeiro dia nos Alpes.

- Vinhos alpinos e cenários de cartão-postal:
A visita à Spiezer Alpine Weinkultur, um dos vinhedos mais altos ao norte dos Alpes, revelou uma faceta menos conhecida da Suíça: sua produção de vinhos. Apesar de ser um importante produtor regional, toda a sua produção é destinada ao consumo interno, tornando essa uma experiência ainda mais exclusiva para quem deseja conhecer um lado diferente da cultura suíça.

Lauterbrunnen, Wengen e Grindelwald: três cenários da Região de Jungfrau
Lauterbrunnen: o vale das 72 cachoeiras
Nossa primeira parada foi Lauterbrunnen, um dos cenários mais marcantes da Região de Jungfrau. O vale é cercado por paredões de pedra e 72 cachoeiras, que descem pelas encostas em diferentes alturas.

Entre elas está a famosa Staubbach, que acompanha a paisagem da vila e se tornou uma das imagens mais conhecidas da região. Fizemos uma breve visita ao mirante da cachoeira, antes de seguir nosso roteiro.
De Lauterbrunnen, seguimos para Wengen.
Wengen: uma vila alpina ski-in/ski-out
A 1.274 metros de altitude, a vila combina os tradicionais chalés suíços com uma excelente estrutura hoteleira e uma localização privilegiada aos pés da Jungfrau. Caminhar por suas ruas é uma forma simples de perceber como a vida alpina e o turismo de neve convivem por ali.
Fizemos um passeio pela vila e conhecemos o Grand Hotel Belvedere, que estava passando por uma grande transformação. A proposta do novo hotel preserva a identidade alpina, mas traz uma leitura contemporânea, com ambientes minimalistas e vistas privilegiadas para as montanhas.

Grindelwald aos pés do Eiger
A jornada seguiu até Grindelwald, uma das vilas mais conhecidas da Região de Jungfrau. Nosso refúgio foi o Romantik Hotel Schweizerhof, com localização privilegiada e vista para a face norte do Eiger, não tenho palavras para o café da manhã, os queijos suíços, geleias e hospitalidade.

O hotel combina a atmosfera tradicional dos Alpes com conforto e elegância. Da janela do quarto, a presença imponente do Eiger faz parte da experiência.
Jungfraujoch e Grindelwald First: do topo dos Alpes à aventura
Jungfraujoch o topo da Europa.
Subir ao Jungfraujoch é uma das experiências mais marcantes da Região de Jungfrau e o caminho até lá já faz parte do passeio.
Pegamos o moderno Eiger Express, que percorre a encosta do Eiger em direção à estação de Eigergletscher, reduzindo consideravelmente o tempo de subida. Vivemos a experiência VIP, com direito a espumante durante o trajeto.

A 3.454 metros de altitude, o chamado Topo da Europa apresenta uma paisagem completamente diferente:
- Vista para os vales e picos dos Alpes;
- O imenso Glaciar Aletsch, cercado por montanhas de mais de 4.000 metros;
- Ice Palace, escavado dentro da geleira;
- Sphinx, com seu mirante panorâmico.

Na descida, paramos para almoçar e aproveitamos também para conhecer a loja de produtos exclusivos do Jungfraujoch. É um daqueles lugares em que vale reservar alguns minutos para procurar lembranças diferentes, a mochila suíça, por exemplo, virou a nossa favorita, você só encontra ali.

Grindelwald First: um dia de aventura nos Alpes
No dia seguinte, mudamos completamente o ritmo e seguimos para Grindelwald First, uma das montanhas mais procuradas da região para atividades ao ar livre.
E foi literalmente voando no Eiger que vivemos um dos momentos mais especiais dessa etapa da viagem.
No First Flyer, percorremos o trajeto suspensos sobre a montanha, a mais de 80 km/h em ré, a velocidade é maior em ré na subida e mais lenta de frente na descida.

Para completar o dia:
- First Cliff Walk: 2.200 metros acima do nível do mar, uma passarela metálica aparafusada na rocha, tem ponte suspensa de corda única e termina em um mirante com piso de vidro que se estende por 45 metros sobre o vazio.

- Mountain Cart: descida pelas encostas em um veículo entre bicicleta e kart;
- Trottibike: descida pelas trilhas da montanha.
Depois das atividades, um almoço no topo foi a pausa perfeita para aproveitar a vista de Grindelwald antes de seguir viagem.

Berna: uma surpresa no final da viagem
Chegamos a Berna para os últimos dias da viagem e encontramos uma cidade bem diferente daquela imagem mais previsível da Suíça.

O centro histórico é medieval, mas a cidade está longe de parecer parada no tempo. Pelas ruas, as famosas arcadas, cafés, lojas e restaurantes dividem espaço com uma população jovem e uma vida cultural bastante ativa.
Começamos explorando o centro e entramos na Torre do Relógio (Zytglogge), um dos símbolos de Berna. Subir seus andares e conhecer de perto o mecanismo do relógio foi uma experiência que valeu muito mais do que simplesmente fotografá-la do lado de fora.

Zentrum Paul Klee
Outro momento interessante foi conhecer o Zentrum Paul Klee, dedicado ao artista suíço Paul Klee.
O próprio edifício já chama atenção: três grandes estruturas onduladas projetadas pelo arquiteto Renzo Piano se integram à paisagem de uma forma bastante particular.

Fomos surpreendidos pela exposição Brasil! Brasil! The Birth of Modernism, a mostra reuniu mais de 130 obras de dez pioneiros da arte moderna nacional, como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Candido Portinari, Djanira da Motta e Silva.
Bärenplatz e os ursos de Berna
Seguimos caminhando pelas ruas do centro histórico, descobrindo fachadas, fontes e pequenos detalhes que fazem de Berna uma cidade tão fotogênica.
Chegamos então à Bärenplatz, a Praça dos Ursos, onde ficam os animais que são símbolo da cidade. Eles estavam ali, tranquilos e muito bonitos, e naturalmente paramos para fotografar.
Foi um daqueles momentos gostosos do roteiro em que não existe pressa. Apenas caminhar, observar, tirar muitas fotos e aproveitar a cidade acontecendo ao nosso redor.
Uma noite no Kornhauskeller
À noite, fomos ao Kornhauskeller e aqui a própria arquitetura já faz parte do programa.

O restaurante ocupa o antigo celeiro de grãos da cidade, construído no século XVIII. Descemos para o enorme salão subterrâneo, com seus arcos e colunas, e encontramos um ambiente cheio de movimento.
O jantar, harmonizado com vinhos suíços, fechou o dia muito bem. Boa comida, vinho local e uma sala impressionante, daquelas em que você naturalmente demora mais à mesa.
E talvez essa tenha sido a maior surpresa de Berna: depois de tantos dias entre montanhas, lagos e vilas alpinas, encontramos uma Suíça mais urbana, cultural e viva — justamente no final da viagem.
Até breve, Suíça
Essa não foi a minha primeira vez na Suíça. Já havia conhecido Genebra, Lucerna, Lausanne, Berna e Interlaken em outras viagens, mas voltar ao país e percorrer a Região de Jungfrau me fez perceber, mais uma vez, como a Suíça consegue surpreender mesmo quem já esteve por lá.
E ainda ficou muito por conhecer.
Montreux está nos meus próximos planos, assim como voltar a Lucerna com mais tempo e, finalmente, fazer o GoldenPass Express, uma das experiências ferroviárias que ainda quero viver.
Por isso, uma coisa ficou ainda mais clara para mim depois dessa viagem: a Suíça não combina com pressa.
É um destino de deslocamentos cênicos, hotéis que merecem ser aproveitados, cidades que pedem caminhadas sem roteiro rígido, boa gastronomia e experiências que ficam melhores quando existe tempo para simplesmente estar ali.
O custo elevado do destino muitas vezes faz com que o viajante tente concentrar a Suíça em três ou quatro noites. Na minha opinião, é justamente aí que se perde uma parte importante da experiência.
Seis noites são um excelente ponto de partida. A partir daí, é possível construir uma viagem mais confortável, com bons hotéis, deslocamentos inteligentes e tempo suficiente para conhecer diferentes regiões sem transformar cada dia em uma corrida contra o relógio.
Eu já conhecia a Suíça. Voltei e descobri que ainda quero voltar outra vez.
Talvez esse seja o melhor jeito de me despedir dela por enquanto.
Até a próxima, Suíça.





